Escorregar – conto

Bárbara era pequena, tinha o peso comum de uma criança da sua idade, possuía os cabelos tão castanhos quanto seus olhos e morava em uma cidade que tinha um alto gramado onde as pessoas costumavam se reunir com suas caixas de papelão para passar a tarde de domingo escorregando pela grama.

Em um desses finais de semana em que seus pais tiravam apenas para a família, levaram-na e seu irmão à esse gramado, cada um segurando sua caixa para que pudessem ser desmontada para o uso na hora em que lá chegassem. E passaram horas sem que eles percebessem durante a brincadeira que tanto gostavam. O dia estava bonito, um céu azul com poucas nuvens, bastante calor e um vento de verão hora ou outra, era um dia perfeito para brincar ao ar livre e acumular risadas e histórias que a iam engrandecer futuramente.

A menina guardava com muito carinho esses momentos porque sempre foi muito apegada à sua família e a tudo o que podiam e faziam juntos, sem contar nas conversas que fazia questão de estar presente e se mostrar assim falando muito, coisa que era de sua natureza e genética italiana. E como falava! Às vezes parecia que nunca se cansava, porque as palavras (em alto e bom – e agudo – som) nunca lhe faltavam, mas isso era de sua personalidade e é algo que sempre a acompanhará por mais que tente diminuir de vez em quando.

Apesar de Bárbara guardar esses dias de folia com a família, teve um em especial que a marcou por causa de uma trapalhada de seu irmão mais velho que resolveu colocá-la dentro de uma caixa de papelão que não estava desmontada para escorregar e depois de fechar a caixa, empurrou-a para que ela pudesse “escorregar no escuro”. Mas claro que algo ali tinha que dar errado. De uma hora para a outra a caixa em que a irmã mais nova estava, bateu em um buraco ou coisa parecida e começou a capotar e rodar até que abriu, e de lá a menina foi jogada para fora sem entender direito o que tinha acabado de acontecer, meio que dolorida por causa das voltas que tinha dado e batido no chão, e ainda tonta por ter saído rolando grama abaixo por um certo espaço de tempo. Para melhorar, seus pais e irmão começaram a rir  talvez um pouco descontroladamente e ficaram sem forças para ajudá-la de imediato, o que acabou por deixar Bárbara ainda mais sem graça.

Ao final das contas e somando os imprevistos, foi um dia muito gostoso com sua família e que por ela, eles o repetiriam todos os finais de semana mesmo depois que crescesse, porque ela amava sorrisos sinceros como os que viu aquele dia e adorava a sensação de felicidade que podia sentir em seu peito naquele momento.

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